Sugestão de leitura

La Triple Frontera, desde Chile

9789562848602.pngDaniel Bello Arellano é um estudante de doutorado da Universidade do Chile. Fez mestrado em Estudos Sociais e Políticos Latino-Americanos na Universidade Alberto Hurtado (Chile). O resultado de seu mestrado foi publicado no livro intitulado “La Triple Frontera del Paraná (Paraguay-Brasil-Argentina): condiciones endógenas institucionales e ilegalidade” (RIL Editores, Santiago, 2012).

O objetivo do autor foi o de identificar e analisar os fatores que fazem da Tríplice Fronteira um espaço propício para atividades ilícitas. Há três insights interessantes ao longo do livro. (1) No capítulo 3, o autor menciona a fragilidade do discurso hegemônico (acusação dos EUA de que há terrorismo) e do discurso contra hegemônico (o real interesse seria Aquífero e o terrorismo é mera desculpa discursiva dos EUA). Sinaliza que sua análise irá pelo caminho de que o irrefutável é o contrabando, o crime a corrupção que existe e não depende dos discursos; (2) Conclui que a TF é a porta de entrada para alguns dos mercados mais importantes da América Latina: 334 km de Assunção; 620 km de Curitiba; 950 km de São Paulo; 1000 km de Montevidéu; 1470 km do Rio de Janeiro; 1600 km de Buenos Aires. Em todos os casos há acesso terrestre e aéreo. Tudo isso facilita os fluxos. Legais e ilegais; (3) o que a TF tem de diferente: localização e acesso; população local para mercado interno e mão de obra; infraestrutura de acesso físico e financeiro (bancos).

O ponto alto do livro é apontar o fator institucional como determinante, em um mundo e um espaço no qual o fechamento da fronteira é incogitável. Somente um marco institucional sólido poderia reduzir as atividades delitivas. Nesta lógica, o capítulo 4 analisa as fragilidades institucionais do Paraguai. O diagnóstico me parece adequado ao apontar a corrupção como sistêmica. O que me parece frágil é o referencial de Estado Falido e que, se levado às últimas consequências, pode servir de pretexto para as mais diversas ações dos Estados Unidos (vide caso Colômbia).

Por fim, a leitura me deixou com três impressões: (1) O jovem pesquisador, convencido de que estava diante de um tema pouco explorado e muito importante, decide por publicar sua dissertação. Isso é bom porque atinge um público maior, mas há sempre o risco de alguns equívocos creditados à imaturidade acadêmica; (2) Uma pesquisa de mestrado possui um tempo muito limitado, o que levou o autor ao caminho mais curto (talvez mais possível): ler o básico sobre a Tríplice Fronteira, preferencialmente em seu idioma. Isso levou Daniel Bello a priorizar leituras limitadas como Moisés Naim e Mariano Bartolomé, ao caracterizar a região; (3) Consequentemente, as informações que o autor usa sobre a Tríplice Fronteira são muito limitadas. Muitas delas desatualizadas (como o número de habitantes) ou simplesmente senso comum (Cidade do Leste possui movimento econômico comparável com Miami e Hong Kong).

A leitura do artigo La Triple Frontera como polo de atracción de actividades ilícitas: Condiciones endógenas institucionales e ilegalidad dispensa a leitura do livro.

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